
A Ética Jornalística é o conjunto de normas e procedimentos éticos que regem a atividade do jornalismo. Ela se refere à conduta desejável esperada do profissional. Portanto, não deve ser confundida com a deontologia jornalística; ligada à dêontica, a deontologia se refere a uma série de obrigações e deveres que regem a profissão. Embora geralmente não institucionalizadas pelo Estado, estas normas são consolidadas em códigos de ética que variam de acordo com cada país.
O jornalismo clássico é orientado por uma ética de princípios, na qual os critérios para se determinar se uma conduta é correta não dependem dos resultados dessa conduta e sim de alguns princípios, sendo o mais importante, a busca e a socialização da verdade de interesse público: o imperativo categórico da verdade.
Na ética de princípios não cabe ao jornalista medir as verdades que devem ser
reveladas, ou suprimir informações por razões táticas, já que a verdade é a verdade e ele não pode fugir dessa realidade.E se ele esconder a verdade ou apenas parte dela, passa a ser cúmplice de todas as más conseqüências da sua supressão.Verdade e
mentira não estão no mesmo plano. O jornalista não é responsável pelas conseqüências
de dizer a verdade, mas é responsável pelas conseqüências de suprimi-la.
Lembram da polêmica quando a revista Veja trouxe na capa de um dos seus exemplares a foto de cazuza magro, palito e "agonizando em praça publica" devido a AIDS?
Na época, essa capa e a materia contida no artigo, trouxe muita revolta dos fãs de Cazuza e também do próprio cantor.
Leia abaixo um trecho da reportagem:
"A LUTA EM PUBLICO CONTRA A AIDS
O mundo de Cazuza está se acabando com estrondo e sem lamúrias. Primeiro ídolo popular a admitir que está com Aids, a letal síndrome da imunodeficiência adquirida, o roqueiro carioca nascido há 31 anos com o nome de Agenor de Miranda Araújo Neto definha um pouco a cada dia rumo ao fim inexorável. Mas o cantor dos versos
Senhoras e senhoresTrago boas novasEu vi a cara da morteE ela estava viva
faz questão de morrer em público, sem esconder o que está lhe passando".
Sinceramente, olhando como uma estudante de Comunicação Social, futura publicitaria e jornalista, percebo a falta de ética do repórter ao publicar essa materia. Concordo que a pose feita por cazuza na foto da capa não foi obrigada por ninguém, o cantor fez porque quis, assim como ele fez a entrevista porque ele quis e sentiu no direito dele. Mas a falta de ética do repórter em expor um cidadão a esse papel “agonizante” em um meio de comunicação em massa,é muito obvio.
Palavras massacrantes destacadas no decorrer dessa reportagem. Como falamos acima, o jornalista não eh responsável pela conseqüência da verdade, mas eh sim reponsavel pelo tramite que ela segue. E a maneira como foi exposta a vida de cazuza é algo realmente assustador. Ate mesmo o próprio Cazuza se sentiu lesado diante essa materia. Alguns dias após essa edição desse exemplar da revista Veja, ele publicou a seguinte resposta:
"A revista veja dessa semana mostra uma foto minha na capa da revista com uma pose que nao me orgulho muito. acredito que as pessoas queseja sensivel e que tenha o minimo de solidariedade- tera um profundo sentimento de tristeza e revolta.
Tristeza por ver essa revista ceder à tentação de descer ao sensacionalismo, para me sentenciar à morte em troca da venda de alguns exemplares a mais. Se os repórteres e editores tinham de antemão determinado que estou em agonia, deviam, quando nada, ter tido a lealdade a e franqueza de o anunciar para mim mesmo, quando foram recebidos cordialmente em minha casa.Mesmo não sendo jornalista, entendo que a afirmação de que sou um agonizante devia estar fundamentada em declaração dos médicos que me assistem, únicos, segundo entendo, a conhecerem meu estado clínico e, portanto, em condições de se manifestarem a respeito. A VEJA não cumpriu esse dever e, com arrogância, assume o papel de juiz do meu destino. Esta é a razão de minha revolta.Não estou em agonia, não estou morrendo. Posso morrer a qualquer momento, como qualquer pessoa viva. Afinal, quem sabe com certeza quanto vai durar?Mas estou vivíssimo na minha luta, no meu trabalho, no meu amor pelos meus entes queridos, na minha música - e certamente perante todos os que gostam de mim."
Acho que resposta de Cazuza foi a resposta que muita gente queria ouvir na epoca, e porque nao dizer, hoje tambem. Jornais que se deixam levar pelo sensacionalismo e apelacao total das meterias, rouborizam e viciam a populacao a ver e se acostumar com relatos e materias tristes, violentas e massantes.
Por isso, digo e repito, O jornalismo clássico é orientado por uma ética de princípios, na qual os critérios para se determinar se uma conduta é correta não dependem dos resultados dessa conduta e sim de alguns princípios, sendo o mais importante, a busca e asocialização da verdade de interesse público: o imperativo categórico da verdade.
Mas fico me perguntando se é realmente possivel existir um jornalismo assim.. Se alguem souber a resposta, por favor, me digam,ok?!
(capa da revista Veja de 1989 pode ser visualizada no inicio desse post ou acessem nemumnemoutro.wordpress.com que voces tambem verao uma reportagem baseada nessa revista)
ética em decadencia
ResponderExcluirme pergunto tambem
"possivel existir um jornalismo assim.."??
com certeza Rafael.. eh muito dificil ver hoje uma etica dentro de qualquer profissao, principalmente no jornalismo, que eh um meio muito usado e citado nesse quezito. Entao, acho que para existir uma possivel etica no jornalismo, nos, estudantes e futuros jornalistas e publicitarios, temos que fazer a diferenca. Temos que ser melhores do que "eles" sao hoje. Penso que tudo um dia muda, quem sabe nao consigamos mudar isso tbem?! Eh um caso a se pensar... ]
ResponderExcluirbjusssssssssss.. obrigado pelo post, e volte sempre.